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Comprimidos ilegais para emagrecer: o que o Infarmed já apanhou

Sibutramina, diuréticos escondidos e venda por WhatsApp: os produtos que o Infarmed identificou, como reconhecer o perigo e o que fazer em casa.

Atualizado: 24 de agosto de 2026 Leitura: 8 min Redação: Redação Guia do Peso

Resposta curta: a substância mais encontrada em produtos ilegais para emagrecer vendidos em Portugal é a sibutramina, suspensa na União Europeia em 2010 porque os riscos, sobretudo cardiovasculares, foram considerados muito superiores aos benefícios num programa de perda de peso. O Infarmed já identificou produtos concretos com essa substância à venda para consumidores portugueses — «UP Life», «Moder Diet» e «Li Da — Daidaihua» —, alguns deles também com hidroclorotiazida, um diurético. A recomendação oficial para quem tenha estas embalagens em casa é entregá-las numa farmácia para destruição pelo sistema Valormed.

Esta página não recomenda nenhum produto. Serve para reconhecer o que é perigoso e saber o que fazer.

2010
ano da suspensão da sibutramina na União Europeia
3
produtos identificados pelo Infarmed listados nesta página
WhatsApp
é um dos canais de venda detetados, a par de sites e redes sociais
Valormed
sistema onde entregar as embalagens, via farmácia

Sinais de alerta

🔴 Tomou um produto para emagrecer comprado fora de farmácia e sente palpitações, dor no peito, subida da tensão arterial ou mal-estar súbito: procure ajuda médica e leve a embalagem consigo. A sibutramina foi retirada do mercado europeu precisamente por risco cardiovascular.

🔴 Tem em casa embalagens de UP Life, Moder Diet ou Li Da — Daidaihua: não as tome. A recomendação do Infarmed é entregá-las numa farmácia para destruição pelo sistema Valormed.

🔴 Está grávida ou a amamentar: não tome produtos para emagrecer por decisão própria, incluindo os de venda livre e os chás.

O que é a sibutramina e porque foi proibida

A sibutramina é um princípio ativo que foi usado como medicamento para perda de peso e que foi suspenso na União Europeia em 2010, porque os riscos da sua utilização, sobretudo cardiovasculares, foram considerados muito superiores aos benefícios num programa de perda de peso.

Suspensão significa que nenhum medicamento com sibutramina pode ser vendido legalmente em Portugal. Quando aparece, aparece em produtos apresentados como «naturais» ou como suplementos — sem constar do rótulo.

Os produtos identificados pelo Infarmed

Produto O que a análise encontrou Como era vendido
UP Life (cápsulas) hidroclorotiazida (diurético) e sibutramina venda ilegal a consumidores em Portugal
Moder Diet (cápsulas) hidroclorotiazida e sibutramina venda ilegal a consumidores em Portugal
Li Da — Daidaihua sibutramina, confirmada por análise laboratorial do Infarmed classificado como medicamento ilegal

Repare na combinação do primeiro grupo: um diurético mais um estimulante do sistema nervoso central. O diurético dá o resultado imediato na balança — água, não gordura — e a substância proibida dá a redução de apetite. É a fórmula que produz a experiência que os anúncios vendem, com o risco que o regulador descreveu.

Como estes produtos chegam a quem os compra

A venda ilegal ao público português foi detetada através de sites, redes sociais e aplicações de mensagens — Facebook e WhatsApp incluídos — dirigidos especificamente a consumidores em Portugal.

O Infarmed chegou a pedir apoio de autoridades internacionais, incluindo a Interpol, para conter a venda ilegal de medicamentos pela internet em território português. É a escala do problema: não é um caso isolado, é um canal de distribuição.

O que fazer se tem um destes produtos em casa

  1. Não tome mais nenhuma dose, mesmo que ainda falte terminar a embalagem.
  2. Entregue a embalagem numa farmácia, para destruição pelo sistema Valormed — é a recomendação oficial do Infarmed.
  3. Guarde o registo da compra (anúncio, conversa, recibo) se pensa apresentar queixa.
  4. Fale com o seu médico se tomou o produto durante algum tempo ou se toma medicação para a tensão arterial ou para o coração.
  5. Consulte os alertas de segurança publicados no site do Infarmed (infarmed.pt) antes de comprar qualquer produto desta categoria; a base de dados de medicamentos autorizados é o INFOMED.

O Infarmed alertou também as entidades para não venderem, dispensarem ou administrarem estes produtos — ou seja, uma farmácia portuguesa não os deve ter. Se um produto só existe fora do circuito da farmácia, isso é informação.

Como reconhecer um produto perigoso antes de comprar

  • Não tem registo nem é vendido por farmácia ou parafarmácia. Se a única forma de comprar é uma mensagem privada, o produto não passou por controlo.
  • É vendido por WhatsApp, Instagram ou Facebook, com atendimento «personalizado». Foi exatamente assim que os produtos acima chegaram a consumidores portugueses.
  • Promete quilos por semana. Um quilo de tecido adiposo corresponde a cerca de 7.700 kcal: perder 10 kg em sete dias exigiria um défice de 11.000 kcal por dia, várias vezes o gasto energético total de um adulto médio (1.800–2.800 kcal/dia). Uma promessa dessas descreve algo que não existe.
  • Usa alegações que a EFSA não autoriza, do tipo «queima gordura» ou «acelera o metabolismo». Nenhum ingrediente desta categoria tem alegação de perda de peso aprovada; em 2012 a EFSA rejeitou expressamente a alegação para a combinação de extrato de chá verde com guaraná.
  • Não indica as doses em miligramas dos ingredientes. Sem esse número não é possível comparar com as doses usadas nos estudos — e é uma falha frequente também em produtos legais, como assinalamos na comparação dos que se vendem em farmácia.
  • Mostra testemunhos, fotografias de antes e depois, contadores ou prazos. A urgência artificial é prática proibida pela diretiva Omnibus na União Europeia.

Produtos legais que não são o que parecem

Nem tudo o que é perigoso é ilegal. Há produtos vendidos legalmente cujo mecanismo não é o que o comprador imagina.

Chás com sene. O chá de emagrecimento mais conhecido dos supermercados portugueses tem na composição declarada sene (Cassia angustifolia) a 95% — um laxante estimulante. O próprio rótulo avisa que não garante perda de peso e que não deve ser usado na gravidez ou lactação. O detalhe está em o que trazem mesmo os chás de emagrecimento.

Laxantes de farmácia. O Bekunis, com bisacodilo, é um medicamento não sujeito a receita indicado para obstipação ocasional ou aguda e para preparação de exames ao intestino. Tomá-lo continuadamente como produto de emagrecimento é uso fora da indicação aprovada.

Suplementos com laxante. Dentro de uma gama de farmácia portuguesa, o Depuralina Cut inclui Rhamnus purshiana (casca sagrada), da mesma classe farmacológica do sene — algo que não é evidente na comunicação do produto (comparação da gama).

Alegações comerciais. Um captador de fibras vendido em Portugal anunciava absorver «em média 50% das calorias» dos alimentos. Registámos a frase na página de venda do retalhista, que entretanto saiu do ar; não a substituímos por outra ligação porque não confirmámos a mesma redação noutro sítio. O ponto mantém-se, e não depende do número: uma percentagem deste tipo é argumento de venda, não resultado de ensaio clínico independente que tenhamos conseguido localizar.

O mito de «acelerar o metabolismo»

A frase aparece em quase toda a publicidade da categoria, e a ordem de grandeza real é modesta: 100 mg de cafeína aumentam o gasto energético em repouso em 3–4%. É isto que a literatura mede quando alguém escreve «metabolismo turbo» ou «três vezes mais rápido».

Um aumento de 3–4% do gasto em repouso não compensa uma alimentação descontrolada, e é uma ordem de grandeza incompatível com qualquer promessa de transformação em semanas.

Porque não repetimos listas de substâncias que não pudemos verificar

Circulam na internet listas longas de substâncias proibidas encontradas em produtos de emagrecimento. Algumas são reais. Nesta página só constam as que aparecem em alertas do regulador português ou em imprensa nacional que os cita, com a ligação à fonte.

Copiar uma lista sem a poder verificar seria fazer aqui o mesmo que criticamos nas páginas de venda: publicar um número ou um nome porque soa credível. Quando tivermos alertas verificados sobre outras substâncias, esta página cresce.

Onde este artigo ajuda — e onde não chega

Aqui estão os alertas do regulador com nome de produto e substância identificada, os canais de venda detetados, o que fazer com uma embalagem em casa e como reconhecer o padrão antes de comprar.

Aqui não está aconselhamento clínico para quem já tomou estes produtos. Se tomou, sobretudo se tem doença cardiovascular ou toma medicação para a tensão arterial, isso é conversa com o seu médico, com a embalagem à frente.

Resumo

A sibutramina, suspensa na União Europeia em 2010 por risco cardiovascular, é a substância mais encontrada em produtos ilegais para emagrecer vendidos em Portugal; o Infarmed identificou os produtos UP Life, Moder Diet e Li Da — Daidaihua, alguns também com o diurético hidroclorotiazida. A venda foi detetada por sites, redes sociais e WhatsApp, e o regulador pediu apoio internacional, incluindo à Interpol. Quem tenha estas embalagens deve entregá-las numa farmácia para destruição via Valormed. Há ainda produtos legais cujo mecanismo é laxante e não metabólico, e alegações comerciais apresentadas como se fossem resultados de ensaios.

Fontes utilizadas


Autor: Redação Guia do Peso · como trabalhamos Publicado: 24 de agosto de 2026 · Última atualização: 24 de agosto de 2026

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Perguntas frequentes

A sibutramina é proibida em Portugal?

A sibutramina foi suspensa na União Europeia em 2010, porque os riscos, sobretudo cardiovasculares, foram considerados muito superiores aos benefícios num programa de perda de peso. Não pode ser vendida legalmente, e quando aparece é em produtos que não a declaram no rótulo.

Que produtos para emagrecer o Infarmed já retirou?

Entre os casos documentados estão as cápsulas UP Life e Moder Diet, com hidroclorotiazida e sibutramina, e o produto Li Da — Daidaihua, com sibutramina confirmada por análise laboratorial do próprio Infarmed.

Comprei um destes produtos. O que faço com a embalagem?

Não tome mais nenhuma dose e entregue a embalagem numa farmácia, para destruição pelo sistema Valormed — é a recomendação oficial do Infarmed. Se tomou o produto durante algum tempo, fale com o seu médico.

Como sei se um produto para emagrecer é seguro?

Verifique se é vendido por farmácia ou parafarmácia registada, se declara as doses em miligramas, e se evita alegações que a EFSA não autoriza, como «queima gordura». Promessas de vários quilos por semana são incompatíveis com a aritmética: 1 kg de gordura corresponde a cerca de 7.700 kcal.

Os chás de venda livre são mais seguros?

Nem sempre são o que parecem: o chá de emagrecimento mais vendido em supermercado português tem 95% de sene, um laxante estimulante, e o próprio rótulo avisa que não garante perda de peso.

Existe alguma opção legal com eficácia demonstrada?

Sim, e é uma só. Na União Europeia, o orlistat é o único princípio ativo para perda de peso que se vende sem receita, e a meta-análise de 16 ensaios mediu-lhe 2,9 kg de vantagem sobre o placebo: modesto, mas medido (doses e preços). Com receita médica existem os agonistas GLP-1, com efeitos maiores e com custos e riscos próprios (preços e regras).

Autor: Redação Guia do Peso Última atualização: 24 de agosto de 2026
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