Resposta curta: o que tem mais suporte científico para perder peso é o défice calórico com atividade física regular. Depois disso, e só depois, vêm os fármacos: o orlistat, único princípio ativo de venda livre na União Europeia para perda de peso, com uma diferença média de 2,9 kg face ao placebo em meta-análise de 16 ensaios; e os agonistas GLP-1 injetáveis, com perdas de 14,8% a 22,5% do peso em ensaios de fase 3, mas sujeitos a receita médica e sem comparticipação quando o objetivo é o peso — de cerca de 105 € por caneta no mais barato a 445 € por mês no mais caro. Os suplementos alimentares ficam no fim da lista: nenhum ingrediente desta categoria tem alegação de perda de peso autorizada pela EFSA.
Este site existe para dar os números que faltam nas páginas de venda: quanto, em quanto tempo, a que custo e com que fonte.
Sinais de alerta: pare e procure ajuda médica
Antes de qualquer conselho sobre peso, os casos em que a prioridade é outra.
Dor abdominal superior nova ou a agravar, muitas vezes a irradiar para as costas, com náuseas ou vómitos persistentes, em quem faz um GLP-1 (semaglutido, tirzepátido, liraglutido): é sinal de possível pancreatite aguda, condição grave. Urgência hospitalar, sem esperar pela consulta.
Tem em casa produtos para emagrecer comprados pela internet, por redes sociais ou por WhatsApp, sem registo em farmácia: não os tome. O Infarmed já identificou produtos deste tipo vendidos em Portugal com sibutramina, substância retirada do mercado europeu em 2010 por risco cardiovascular. A recomendação oficial é entregar as embalagens numa farmácia para destruição pelo sistema Valormed.
História pessoal ou familiar de carcinoma medular da tiroide ou de neoplasia endócrina múltipla tipo 2: é contraindicação absoluta dos agonistas GLP-1. Diga-o ao médico antes de qualquer prescrição.
Está grávida ou a amamentar: não tome produtos para emagrecer por decisão própria, incluindo chás de venda livre. Os agonistas GLP-1 não são recomendados na gravidez e têm de ser interrompidos algum tempo antes de uma gravidez planeada. Se está a planear engravidar, leve o assunto à consulta com antecedência — o prazo consta do folheto informativo e é o médico que o aplica ao seu caso.
Para quem procura produtos vendidos fora do circuito legal, reunimos os alertas do regulador numa página só: comprimidos ilegais para emagrecer.
O que funciona mesmo, por ordem de evidência
A hierarquia abaixo não é opinião editorial: é a ordem que resulta do tamanho do efeito medido em ensaios e do estatuto regulamentar de cada opção.
Alimentação e movimento. As diretrizes clínicas do NIH recomendam um défice de 500–1.000 kcal por dia como parte de um programa de perda de peso, com um ritmo alvo de 0,5–1 kg por semana. É a intervenção com maior peso na literatura e a única que não tem custo de produto.
Orlistat. Numa meta-análise publicada no BMJ em 2007, com 16 ensaios e 10.631 participantes, o orlistat produziu uma redução de 2,9 kg (IC 95%: 2,5–3,2) face ao placebo ao fim de 1 a 4 anos. Funciona por inibição da lipase no intestino, bloqueando a absorção de cerca de 30% da gordura da refeição — e o preço prático desse mecanismo são fezes oleosas e urgência fecal quando a refeição é gorda. Detalhe completo, doses e preços em orlistat e Alli em Portugal.
GLP-1 injetáveis. No ensaio SURMOUNT-1 (NEJM, 2022, 2.539 participantes, 72 semanas), o tirzepátido produziu perdas médias de 16,0% a 22,5% do peso corporal conforme a dose, contra 2,4% no placebo. No STEP 1 (NEJM, 2021), o semaglutido 2,4 mg produziu 14,85% contra 2,41% no placebo. Ambos os ensaios foram financiados pelos respetivos fabricantes, e ambos os fármacos são sujeitos a receita médica em Portugal. Vemos preço a preço em injeções para emagrecer.
Suplementos alimentares. A meta-análise mais robusta da categoria, com 37 ensaios e 2.292 participantes, atribuiu à L-carnitina uma redução de 1,21 kg — real, reproduzida numa segunda meta-análise independente, e pequena. Já a meta-análise de 2024 sobre Hibiscus sabdariffa (6 ensaios, 339 participantes) encontrou uma diferença de −0,27 kg, não significativa. A comparação ingrediente a ingrediente tem o resto.
Quanto se pode perder por semana sem enganar ninguém
Um quilo de tecido adiposo corresponde a cerca de 7.700 kcal armazenadas. Perder 10 kg de gordura em sete dias exigiria um défice de aproximadamente 77.000 kcal, ou seja, 11.000 kcal por dia — cinco a sete vezes o gasto energético total de um adulto médio, que ronda 1.800–2.800 kcal/dia. Não é difícil: é aritmeticamente impossível.
O que muda mesmo na balança em poucos dias é sobretudo água e conteúdo intestinal. O glicogénio muscular e hepático liga-se a água numa proporção de cerca de 3–4 g de água por grama de glicogénio, e é isso que se perde e se recupera em dois dias de alimentação normal. É a mecânica por trás do efeito ioiô que quase toda a gente já viveu.
Vale a pena saber ainda que a regra popular dos «3.500 kcal = meio quilo» é cientificamente imprecisa: sobrestima a perda real porque ignora a adaptação metabólica — o gasto de manutenção desce à medida que se perde peso.
Os temas do site
Barriga e gordura abdominal. Porque não existe perda localizada, o que a literatura mostra sobre gordura visceral e o que muda mesmo em sete dias: perder barriga.
Chás e produtos «naturais». Chá verde, hibisco, gengibre, canela e os chás ditos detox — incluindo o mais vendido em supermercado português, cujo ingrediente ativo é sene a 95%: chá para emagrecer.
Menopausa e os 45+. A faixa etária com maior prevalência de obesidade em Portugal é também aquela em que a fisiologia hormonal muda a distribuição de gordura: emagrecer na menopausa.
Comprimidos de venda livre. Comparação de ingredientes, doses e preços em Portugal, com o veredicto da evidência ao lado de cada um: melhores comprimidos para emagrecer.
Marcas de farmácia. A gama Depuralina tem variantes com mecanismos diferentes — incluindo uma com laxante estimulante: Depuralina: qual escolher. E o produto que aparece na publicidade que provavelmente o trouxe aqui tem análise própria: IdealFit.
Injeções e preços. Quanto custa cada molécula em Portugal e quem tem direito a comparticipação: Mounjaro, Ozempic e Wegovy.
Segurança. O que o Infarmed já retirou do mercado e como reconhecer um produto perigoso: comprimidos ilegais.
Porque olhamos para os 45+
Segundo o INE (dados de 2022, divulgados em março de 2025), 37,3% da população residente com 18 ou mais anos tinha excesso de peso e 15,9% tinha obesidade. A prevalência de obesidade atinge o valor mais alto a partir dos 45 anos (19,3%), e é semelhante entre homens e mulheres.
Adultos com obesidade avaliam o seu estado de saúde como desfavorável com mais frequência (21,6%) do que a população em geral (13,2%), e mais de 60% relatam doença crónica ou problema de saúde prolongado. Um relatório da Direção-Geral da Saúde projeta, mantendo-se as tendências atuais, um aumento da prevalência de obesidade de 52,3% nas mulheres e 77,8% nos homens até 2050, face a 2021.
O índice de massa corporal usado nestas contas é uma medida de rastreio, não de diagnóstico: não distingue massa gorda de massa muscular. Sobrestima obesidade em pessoas muito musculadas e subestima-a em quem tem pouco músculo e muita gordura abdominal — exatamente o padrão da transição menopáusica.
| Classificação da OMS | IMC (kg/m²) |
|---|---|
| Peso normal | 18,5–24,9 |
| Excesso de peso (pré-obesidade) | 25,0–29,9 |
| Obesidade grau I | 30,0–34,9 |
| Obesidade grau II | 35,0–39,9 |
| Obesidade grau III | ≥ 40,0 |
O que este site faz — e o que não faz
Aqui encontra o que os ensaios e as meta-análises mediram, os pareceres da EFSA sobre alegações de saúde, os alertas do Infarmed e os preços praticados em Portugal, com a ligação à fonte ao lado de cada número.
Aqui não encontra diagnóstico, plano alimentar personalizado nem indicação de dose para o seu caso. Isso depende do seu peso, da medicação que toma e do histórico clínico — é conversa de consulta, não de artigo.
Porque não publicamos certas coisas
Não publicamos fotografias de «antes e depois». Uma fotografia não mostra quanto era gordura, quanto era água e quanto era o enquadramento da câmara.
Não publicamos testemunhos. Nos ensaios clínicos de perda de peso, o grupo placebo também perde peso — no STEP 1, 2,41% do peso corporal. Um relato individual não consegue separar o efeito do produto do que teria acontecido de qualquer maneira.
Não indicamos doses de suplementos. Vários produtos desta categoria, o IdealFit incluído, não revelam as dosagens em miligramas no rótulo. Sem esse número não é possível comparar com as doses usadas nos estudos, e inventar uma recomendação seria exatamente o que criticamos nos vendedores.
Não usamos contadores, promoções nem prazos. A urgência artificial é prática proibida pela diretiva Omnibus na União Europeia — e não ajuda ninguém a perder peso.
Como verificamos a informação
Cada número vem de ensaios e meta-análises indexadas na PubMed, de pareceres da EFSA, de alertas do Infarmed, de dados do INE e da DGS, ou de preços de farmácias portuguesas — sempre identificados como retalho, nunca como tabela oficial.
Quando um estudo é financiado pelo fabricante do produto que testa, dizemo-lo na frase em que o citamos; quando não temos fonte, escrevemos que não temos.
Os critérios de seleção, a política de correções e a equipa estão em como trabalhamos e em quem somos.
Resumo
A ordem que interessa é a da escala acima, e não muda com a publicidade: primeiro o que se come e o quanto se mexe, depois o único fármaco de venda livre, depois os injetáveis que exigem receita e dinheiro, e só no fim os suplementos. Cada degrau custa mais e exige mais acompanhamento do que o anterior, e nenhum dispensa o primeiro. As páginas do site desenvolvem cada um deles com os ensaios, os preços portugueses e as ligações à fonte ao lado de cada número.
Fontes utilizadas 17
- Prevalência de excesso de peso e obesidade em Portugal (INE, 2022, divulgado em 2025): https://cnnportugal.iol.pt/obesidade/excesso-de-peso/mais-de-metade-da-populacao-adulta-em-portugal-tem-excesso-de-peso-ou-obesidade/20250303/67c5a8d7d34e3f0bae9b290c
- Projeções da DGS para 2050: https://www.rtp.pt/noticias/pais/relatorio-da-dgs-obesidade-devera-aumentar-52-nas-mulheres-e-78-nos-homens-ate-2050_n1691642
- Classificação do IMC pela OMS (StatPearls/NCBI): https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535456/
- Diretrizes de défice calórico e ritmo de perda (NIH): https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4024447/
- Meta-análise do orlistat (BMJ 2007): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18006966/
- SURMOUNT-1, tirzepátido (NEJM 2022): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35658024/
- STEP 1, semaglutido (NEJM 2021): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33567185/
- Meta-análise da L-carnitina (37 ECR, 2020): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32359762/
- Meta-análise do hibisco (2024): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38878905/
- Revisão Cochrane sobre chá verde (2012): https://www.researchgate.net/publication/233909068_Green_tea_for_weight_loss_and_weight_maintenance_in_overweight_or_obese_adults
- Parecer EFSA sobre chá verde + guaraná (2012): https://www.efsa.europa.eu/en/efsajournal/doc/3000.pdf
- Parecer EFSA sobre o crómio (2010): https://efsa.onlinelibrary.wiley.com/doi/pdf/10.2903/j.efsa.2010.1732
- Alerta do Infarmed sobre produto com sibutramina: https://www.infarmed.pt/web/infarmed/alertas/-/journal_content/56/15786/2176282
- Comparticipação do Ozempic a partir de fevereiro de 2026: https://healthnews.pt/2026/02/03/ozempic-comparticipado-para-diabeticos-tipo-2-com-obesidade-ou-risco-cardiovascular/
- Preço do Ozempic por caneta em farmácia online portuguesa (CNP 5755624, consultado a 24.08.2026): https://www.afarmaciaonline.pt/ozempic-1-5-ml-0-25-mg-0-19-ml-x-1-sol-inj-caneta-pre-cheia.html
- Preço do Mounjaro em Portugal por fase de tratamento: https://apomeds.com/pt/mounjaro-preco
- Descida de 19% no preço do Wegovy em Portugal (junho de 2026): https://24noticias.sapo.pt/atualidade/artigos/tratamento-da-obesidade-wegovy-mais-barato-em-portugal
Autor: Redação Guia do Peso · como trabalhamos Publicado: 24 de agosto de 2026 · Última atualização: 24 de agosto de 2026
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