Publicamos esta página para que possa julgar o site pelo método, e não pela nossa palavra. Explica de onde vem cada número, que fontes recusamos, porque publicamos resultados negativos e o que acontece quando erramos.
A hierarquia de fontes deste site
Uma fonte não vale o mesmo que outra. Ordenamo-las assim, e é esta ordem que decide o que fica escrito quando há desacordo:
- Revisões sistemáticas e meta-análises. Juntam os ensaios que existem sobre uma pergunta, em vez de escolherem os que convêm. É o primeiro sítio onde procuramos a resposta a "isto faz perder peso?".
- Ensaios clínicos aleatorizados. Consultados no PubMed e no PMC, com DOI ou identificador, quando não existe revisão ou quando é preciso um valor concreto: uma dose, a duração do ensaio, a taxa de abandono.
- Estudos observacionais e de coorte. Úteis para descrever populações e tendências, nunca suficientes para atribuir causa a um produto.
- Reguladores e entidades públicas. A EMA e o respetivo resumo europeu de cada medicamento; o Infarmed para autorização, comparticipação e alertas em Portugal; a EFSA para alegações de saúde; a DGS e o INE para dados populacionais portugueses.
- Fontes de mercado. Farmácias, parafarmácias e retalhistas portugueses. Servem exclusivamente para preço e disponibilidade — nunca para provar eficácia.
Atravessa esta lista um princípio: o vendedor nunca é fonte sobre aquilo que vende. O rótulo do fabricante diz o que foi declarado na embalagem, e nada mais do que isso.
O que não aceitamos como prova
- Páginas de venda e "artigos" que acabam num botão de compra.
- Opiniões de utilizadores não verificáveis, aqui ou noutro site.
- Pontuações e estrelas atribuídas pelo próprio site que vende.
- Estudos citados sem revista, ano e autores — se não dá para abrir, não conta.
- Fotografias de "antes e depois", que não são dados e não são verificáveis.
- Conteúdo escrito para outro mercado apresentado como se descrevesse Portugal.
Quando a evidência é fraca, contraditória ou inexistente, escrevemos isso mesmo, ainda que torne o texto menos vendável.
Porque publicamos que um suplemento não funciona
Porque o resultado negativo é informação, e é a informação que ninguém nesta categoria quer dar.
O exemplo mais claro é o hibisco: a meta-análise de 2024 que reuniu 6 ensaios controlados com 339 participantes encontrou −0,27 kg face ao controlo, com um intervalo de confiança que atravessa o zero — ou seja, sem efeito demonstrado. O ingrediente entra na composição de produtos vendidos em Portugal, alguns deles referidos neste site, e o valor fica escrito na mesma, à vista.
Aplicamos o mesmo critério a ingredientes com resultados positivos mas pequenos. As catequinas do chá verde reduziram em média 1,31 kg face ao controlo numa meta-análise de 11 ensaios, e a literatura usa cerca de 2,5 kg como limiar de diferença clinicamente importante na perda de gordura. Um efeito de um quilo é real e é insuficiente — as duas coisas ao mesmo tempo, e é assim que o escrevemos.
Porque neste site não lê "queima gordura"
Porque na União Europeia essa frase é regulada, e a maior parte das versões dela não está autorizada.
O Regulamento (CE) n.º 1924/2006 estabelece que só podem ser usadas em rótulos e publicidade as alegações nutricionais e de saúde avaliadas e aprovadas a nível europeu, com base em parecer científico da EFSA. Na categoria dos produtos para emagrecer, o resultado dessa avaliação é quase sempre uma recusa:
| Substância | Alegação avaliada | Decisão |
|---|---|---|
| Chá verde + guaraná | "Ajuda a queimar gordura" | Não autorizada (EFSA, 2012) |
| EGCG (chá verde) | Contribui para manter um peso corporal normal | Não autorizada |
| Crómio | Metabolismo normal de macronutrientes | Autorizada (Regulamento UE 432/2012) |
| Crómio | Manutenção de um peso corporal normal | Não autorizada (EFSA Journal 2010;8(10):1732) |
A linha do crómio resume a regra inteira: o único ingrediente desta área com alegação aprovada tem-na sobre o metabolismo dos macronutrientes, e não sobre o peso. Escrever "o crómio ajuda a emagrecer" seria ilegal precisamente no ingrediente mais "oficial" do grupo.
No caso do chá verde com guaraná, a recusa da EFSA teve um motivo instrutivo: o estudo apresentado como suporte tinha sido feito só com extrato de chá verde, e não com a combinação reivindicada. Não bastou haver um estudo — era preciso que o estudo fosse sobre aquele produto.
O que fazemos com isto é simples de descrever. Não escrevemos alegações sobre produtos; relatamos estudos, com autor, ano e valor. "Numa meta-análise de 37 ensaios, a L-carnitina reduziu o peso em média 1,21 kg face ao controlo" é jornalismo de saúde. "Este produto queima gordura" seria publicidade não autorizada. A diferença não é de estilo.
Como tratamos o que diz o fabricante
Tomamos a composição declarada como declaração, não como facto verificado, e dizemo-lo assim.
Quando um produto não revela a quantidade em miligramas de cada ingrediente — situação comum nesta categoria — registamos essa ausência no texto. Sem dose declarada não é possível comparar o produto com os ensaios, e essa impossibilidade é o dado relevante para quem está a decidir a compra.
Como verificamos preços
Publicamos apenas valores que vimos numa loja, farmácia ou plataforma portuguesa, com a data da verificação e a ligação. Não copiamos preços de outros artigos nem inventamos "preço médio de mercado".
Preços de medicamentos e de suplementos mudam por embalagem, por dose e por farmácia — um injetável GLP-1 pode custar de 209 € a 445 € por mês consoante a dose, e a mesma substância genérica pode variar várias dezenas de euros entre lojas. Por isso o valor aparece sempre como ordem de grandeza datada, com o pedido explícito de confirmar no vendedor antes de comprar.
Quando as fontes divergem
Comparamos primeiro o nível e depois a data.
O orlistato é um bom exemplo de divergência normal: a meta-análise do BMJ de 2007 (16 ensaios, 10.631 participantes) encontrou 2,9 kg de diferença face ao placebo, e uma meta-análise de 2024 com 22 estudos e 5.921 participantes encontrou 2,40 kg. Não escolhemos o número mais atrativo — escrevemos o intervalo de 2,4 a 2,9 kg e indicamos as duas fontes.
Se duas fontes do mesmo nível continuarem a discordar, escrevemos que discordam e mostramos as duas. Assumir a dúvida serve mais o leitor do que fingir que ela não existe.
Medicamento, suplemento e produto ilegal
São três categorias jurídicas diferentes e nunca as misturamos numa mesma frase.
Medicamento. Avaliado pela EMA ou pelo Infarmed, com folheto informativo aprovado e indicação definida. Pode exigir receita médica, como os injetáveis GLP-1, ou ser de venda livre, como o orlistato de 60 mg.
Suplemento alimentar. Não é avaliado quanto à eficácia antes de chegar à prateleira; segue a lei alimentar e só pode usar alegações aprovadas.
Produto ilegal. Vendido sem autorização, muitas vezes por redes sociais e aplicações de mensagens, e por vezes com substâncias retiradas do mercado. O Infarmed já identificou em Portugal produtos com sibutramina, suspensa na União Europeia em 2010 por risco cardiovascular superior ao benefício, e recomenda entregar essas embalagens numa farmácia para destruição através do sistema Valormed.
Nestes casos o aviso vem antes de qualquer comparação de produtos.
Datas, correções e atualizações
Em todas as páginas fica visível quando foram publicadas e quando foram revistas pela última vez. Voltamos a um texto sempre que aparece uma revisão nova, um preço deixa de bater certo, o Infarmed emite um alerta com impacto no assunto ou um leitor nos mostra um erro.
Encontrou uma afirmação errada? Escreva para [email protected] ou pela página de contactos, de preferência com a fonte que a contradiz. Se tiver razão, corrigimos o texto e mudamos a data. Um site de saúde onde nunca se corrige nada não é um site rigoroso — é um site abandonado.
Afiliação e independência editorial
Parte das ligações é de afiliação e pode gerar comissão. As condições completas ficam no aviso legal e a razão de ser do projeto em quem somos.
O que a comissão não altera é a conclusão. A comparação dos comprimidos para emagrecer mantém o valor do hibisco e a ausência de dose declarada exatamente como estão nesta página. Quando um produto que nos dá comissão levar avaliação positiva, será porque os dados a sustentam, e as referências ficam ao lado para conferir.
Autor: Redação Guia do Peso · quem somos Publicado: 24 de agosto de 2026 · Última atualização: 24 de agosto de 2026
Aviso de saúde. O Guia do Peso publica informação de caráter educativo sobre peso, alimentação e medicamentos. Não é aconselhamento clínico e não dispensa a avaliação de um médico.
Como o site se paga. Algumas ligações desta página geram comissão para a redação quando levam a uma compra. Quem compra paga exatamente o mesmo, e nada do que está escrito acima muda por causa disso.
Titularidade das marcas. Cada marca citada pertence a quem a registou. O Guia do Peso escreve sobre esses produtos sem qualquer vínculo, patrocínio ou representação dos seus fabricantes e vendedores.
Fontes utilizadas
- Meta-análise de 6 ECR sobre Hibiscus sabdariffa e obesidade (2024) — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38878905/
- Meta-análise de catequinas do chá verde e limiar de relevância clínica (2,5 kg) — https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/15502783.2024.2411029
- EFSA, rejeição da alegação chá verde + guaraná «ajuda a queimar gordura» (2012) — https://www.efsa.europa.eu/en/efsajournal/doc/3000.pdf
- EFSA, parecer sobre crómio: metabolismo de macronutrientes autorizado, peso corporal rejeitado (EFSA Journal 2010;8(10):1732) — https://efsa.onlinelibrary.wiley.com/doi/pdf/10.2903/j.efsa.2010.1732
- Meta-análise de L-carnitina, 37 ECR e 2.292 participantes (Clinical Nutrition ESPEN, 2020) — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32359762/
- Rucker D et al., BMJ 2007;335:1194-9, meta-análise de orlistato — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18006966/
- Meta-análise de orlistato (22 estudos, n=5.921, 2024) — https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1973798X241289779
- EMA, resumo europeu do Mounjaro (tirzepátido) — https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/EPAR/mounjaro
- Preços de referência do tirzepátido em Portugal — https://apomeds.com/pt/mounjaro-preco
- Infarmed, alerta sobre medicamento ilegal com sibutramina e recolha via Valormed — https://www.infarmed.pt/web/infarmed/alertas/-/journal_content/56/15786/2176282
- Suspensão da sibutramina na União Europeia em 2010 (SNS) — https://www.sns.gov.pt/noticias/2018/01/25/medicamentos-para-emagrecimento/