O Guia do Peso é um projeto editorial independente sobre peso, alimentação e produtos para emagrecer, escrito em português de Portugal e para o mercado português. Lemos os estudos originais, traduzimos o resultado para quilos e colocamos a referência ao lado da frase. Quando não há evidência, dizemos que não há.
A assinatura: Redação Guia do Peso
Os artigos são assinados pela Redação Guia do Peso, uma assinatura coletiva.
Não temos médicos nem nutricionistas no quadro, e não fingimos que temos. Não publicamos biografias inventadas, não pomos o nome de especialistas em textos que eles não escreveram e não usamos fotografias de "profissionais" compradas num banco de imagens.
O que sabemos fazer é ler literatura científica, comparar fontes, verificar preços em lojas portuguesas e escrever isso de forma que se perceba. É por sabermos onde acaba essa competência que cada página remete para consulta médica quando a decisão é clínica. O processo completo está descrito em como trabalhamos.
Leitores que procuram números, não promessas
Para adultos que querem perder peso e estão a decidir o que fazer com o próprio dinheiro: comprar um frasco na farmácia, pedir uma receita de um injetável, mudar a alimentação — ou não fazer nada disto.
A conta do Instituto Nacional de Estatística para 2022, publicada em março de 2025, deixa pouca margem para lhe chamar tema de minorias: 37,3% dos residentes com 18 ou mais anos com excesso de peso, 15,9% com obesidade, ou seja 53,2% dos adultos. Na faixa a partir dos 45 anos, a obesidade sobe para 19,3%.
É a maioria da população adulta portuguesa, e aperta mais na meia-idade.
Um relatório da Direção-Geral da Saúde projeta que, mantendo-se as tendências atuais, a prevalência de obesidade em Portugal suba 52,3% nas mulheres e 77,8% nos homens até 2050, face a 2021.
Porque decidimos escrever sobre peso
Porque quem pesquisa em português encontra sobretudo três tipos de página, e nenhum responde à pergunta que a pessoa fez.
O primeiro tipo é comercial de clínica: textos bem posicionados sobre canetas injetáveis que terminam numa marcação de consulta e não citam uma única referência — nem o resumo europeu do medicamento, nem um ensaio, nem o regulador nacional.
O segundo tipo é conteúdo brasileiro a ranquear na pesquisa portuguesa. Numa das pesquisas centrais desta área, uma farmácia online brasileira aparece na primeira página do resultado português. O texto pode até estar correto, mas os preços, as marcas e o vocabulário são de outro mercado: em Portugal diz-se efeito ioiô, no Brasil diz-se "efeito sanfona", e quem escreve para nós devia saber a diferença.
O terceiro tipo é o artigo de afiliado disfarçado de análise, com estrelas atribuídas pelo próprio site e opiniões de utilizadores que ninguém consegue verificar.
Há um indício claro de que as pessoas já perceberam isto. Uma das pesquisas mais frequentes da categoria em Portugal junta a palavra "comprimidos para emagrecer" ao nome da DECO Proteste, cerca de 880 vezes por mês. Traduzido: o leitor não quer uma recomendação de vendedor, quer um veredicto de quem não tem nada a ganhar com a venda.
Não somos a DECO. Mas podemos escrever com o mesmo critério e mostrar as fontes.
Do ensaio original ao texto em português
- Números, não adjetivos. "Reduziu em média 1,21 kg em 37 ensaios controlados" diz mais do que "eficaz", e permite ao leitor discordar de nós.
- Fonte colada ao facto. A referência aparece onde a afirmação é feita, não só numa lista final que ninguém abre.
- Medicamento não é suplemento. Um foi avaliado por uma agência do medicamento e tem folheto aprovado; o outro é um alimento, e a diferença muda tudo o que se pode dizer sobre ele.
- Preço com data. Um valor sem loja e sem data numa página de saúde é um valor falso passados três meses.
- Sem testemunhos nem estrelas. Não publicamos fotografias de transformação, não inventamos leitores satisfeitos e não atribuímos pontuações nossas a produtos.
- Segurança antes de comércio. Quando um produto vendido em Portugal já foi apanhado pelo regulador com substância proibida, isso vem primeiro no texto, não numa nota de rodapé.
O que fazemos quando os dados contrariam o nosso interesse
Escrevemo-los na mesma. O melhor exemplo está no hibisco.
O extrato de Hibiscus sabdariffa é um ingrediente comum em produtos vendidos para emagrecer, incluindo produtos sobre os quais escrevemos. Uma meta-análise de 2024, que reuniu 6 ensaios controlados e 339 participantes, encontrou uma diferença de peso de −0,27 kg face ao controlo, com intervalo de confiança de 95% entre −1,98 e +1,42 kg — ou seja, sem significado estatístico. As diferenças no índice de massa corporal e no perímetro da cintura também não foram significativas.
A frase honesta é: neste ponto, a investigação disponível não mostra benefício. Está escrita assim nas nossas páginas, incluindo naquelas onde existe ligação comercial.
O mesmo se aplica às doses. Vários produtos desta categoria não declaram quantos miligramas de cada ingrediente contêm, o que torna impossível compará-los com os estudos. Quando é esse o caso, escrevemos que a dose não é revelada. Essa omissão do fabricante vale, por si só, como informação para quem vai pagar.
O que o guia entrega, e o que deixa à consulta
O que damos: explicação do que é o excesso de peso e de como é classificado; resumo do que mostram as meta-análises sobre cada substância; a separação entre medicamento sujeito a receita e suplemento alimentar; preços de lojas portuguesas com o dia em que os fomos ver; e o registo dos produtos ilegais já identificados pelo regulador. A tabela dos comprimidos para emagrecer é a página onde tudo isto se junta numa tabela; o resto do site abre a partir da página inicial.
Diagnóstico, plano alimentar e prescrição ficam do lado de fora. O guia não lhe diz quantos quilos perder nem quantas cápsulas tomar, não escolhe tratamento por si e não aponta médicos ou clínicas em concreto.
Se está a perder peso sem o procurar, se um medicamento lhe está a provocar sintomas ou se tem uma doença crónica em tratamento, a resposta não está num artigo — está numa consulta.
Um plano ou uma dose seria a parte mais fácil de escrever e a mais perigosa de ler.
Um plano alimentar depende de peso, altura, análises, medicação em curso, horários e história pessoal. Nada disso está numa página que se abre no telemóvel. Publicar "o plano de 1.200 kcal" ou "tome duas cápsulas ao pequeno-almoço" daria mais visitas e menos utilidade, e é exatamente o que faz quem tenta vender-lhe o frasco a seguir.
Preferimos dar-lhe os dados e os critérios, e deixar a decisão onde ela deve estar: consigo e, quando é caso disso, com quem o observa.
Contas do projeto
O dinheiro do guia vem de comissões pagas pelos vendedores quando uma compra começa num clique nosso. A quem compra, não custa mais nada.
O que a comissão não compra é a conclusão. As avaliações mantêm-se como estão mesmo quando são desfavoráveis ao produto que nos daria comissão — o caso do hibisco está publicado precisamente numa dessas páginas. As condições completas ficam no aviso legal.
Encontrou um erro, uma referência desatualizada ou um preço que já não bate certo? Diga-nos em contactos. Corrigimos e mudamos a data.
Autor: Redação Guia do Peso · como trabalhamos Publicado: 24 de agosto de 2026 · Última atualização: 20 de setembro de 2026
Aviso de saúde. O Guia do Peso publica informação de caráter educativo sobre peso, alimentação e medicamentos. Não é aconselhamento clínico e não dispensa a avaliação de um médico.
De onde vem o dinheiro do Guia do Peso. Se clicar numa ligação para uma loja e lá comprar, por exemplo, um suplemento para emagrecer, o vendedor pode transferir-nos uma percentagem dessa venda. Não paga um cêntimo a mais por ter vindo daqui. Os preços, as doses e os veredictos publicados no guia são fechados sem olhar a esse pagamento.
Titularidade das marcas. Cada marca citada pertence a quem a registou. O Guia do Peso escreve sobre esses produtos sem qualquer vínculo, patrocínio ou representação dos seus fabricantes e vendedores.
Fontes utilizadas 9
| Documento | Fonte |
|---|---|
| Prevalência de excesso de peso e obesidade em Portugal, INE 2022 (divulgação de março de 2025) | cnnportugal.iol.pt |
| Relatório da DGS, projeções de obesidade para 2050 | rtp.pt |
| Meta-análise de 6 ECR sobre Hibiscus sabdariffa e obesidade (2024) | pubmed.ncbi.nlm.nih.gov |
| Meta-análise dose-resposta de 37 ECR sobre L-carnitina, peso e IMC (Clinical Nutrition ESPEN, 2020) | pubmed.ncbi.nlm.nih.gov |
| Terminologia pt-PT «efeito ioiô» em conteúdo de saúde português | lev.pt |
| «Efeito ioiô» — segunda confirmação em fonte pt-PT | 1001dietas.pt |
| DECO Proteste, organização portuguesa de defesa do consumidor em saúde | deco.proteste.pt |
| Alerta do Infarmed sobre produtos ilegais para emagrecer | infarmed.pt |
| Retirada da sibutramina do mercado europeu (SNS) | sns.gov.pt |