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Regras editoriais

Regras editoriais do Guia do Peso: hierarquia de fontes, o que recusamos como prova, porque publicamos quando um suplemento falha e como conferimos preços.

Atualizado: 12 de outubro de 2026 Leitura: 8 min Redação: Redação Guia do Peso

Cada quilo, cada preço e cada «não autorizado» que lê no Guia do Peso passou pelas regras desta página. Ficam aqui todas, para que possa julgar o site pelo método e não pela nossa palavra.


Um suplemento que falhou também é notícia

O resultado negativo é informação, e é a informação que ninguém nesta categoria quer dar.

O exemplo mais claro é o hibisco: a meta-análise de 2024 que reuniu 6 ensaios controlados com 339 participantes encontrou −0,27 kg face ao controlo, com um intervalo de confiança que atravessa o zero — ou seja, sem efeito demonstrado. O ingrediente entra na composição de produtos vendidos em Portugal, alguns deles referidos neste site, e o valor fica escrito na mesma, à vista.

Aplicamos o mesmo critério a ingredientes com resultados positivos mas pequenos. As catequinas do chá verde reduziram em média 1,31 kg face ao controlo numa meta-análise de 11 ensaios, e a literatura usa cerca de 2,5 kg como limiar de diferença clinicamente importante na perda de gordura. Um efeito de um quilo é real e é insuficiente — as duas coisas ao mesmo tempo, e é assim que o escrevemos.

Quando um texto muda de data

Cada página mostra quando saiu e quando foi revista pela última vez. Voltamos a um texto por quatro motivos: uma revisão científica nova, um preço que deixou de bater certo, um alerta do Infarmed que toque o assunto ou um erro apontado por um leitor.

Para este último caso, o caminho é fontes@guiadopeso.com ou a página de contactos. Junte a fonte que contradiz a frase, se a tiver; havendo razão, corrigimos e a data muda. Um site de saúde que nunca corrige nada não é rigoroso, está abandonado.

Porque neste site não lê "queima gordura"

Porque na União Europeia essa frase é regulada, e a maior parte das versões dela não está autorizada.

O Regulamento (CE) n.º 1924/2006 estabelece que só podem ser usadas em rótulos e publicidade as alegações nutricionais e de saúde avaliadas e aprovadas a nível europeu, com base em parecer científico da EFSA. Na categoria dos produtos para emagrecer, o resultado dessa avaliação é quase sempre uma recusa:

Substância Alegação avaliada Decisão
Chá verde + guaraná "Ajuda a queimar gordura" Não autorizada (EFSA, 2012)
EGCG (chá verde) Contribui para manter um peso corporal normal Não autorizada
Crómio Metabolismo normal de macronutrientes Autorizada (Regulamento UE 432/2012)
Crómio Manutenção de um peso corporal normal Não autorizada (EFSA Journal 2010;8(10):1732)

A linha do crómio resume a regra inteira: o único ingrediente desta área com alegação aprovada tem-na sobre o metabolismo dos macronutrientes, e não sobre o peso. Escrever "o crómio ajuda a emagrecer" seria ilegal precisamente no ingrediente mais "oficial" do grupo.

No caso do chá verde com guaraná, a recusa da EFSA teve um motivo instrutivo: o estudo apresentado como suporte tinha sido feito só com extrato de chá verde, e não com a combinação reivindicada. Não bastou haver um estudo — era preciso que o estudo fosse sobre aquele produto.

O que fazemos com isto é simples de descrever. Não escrevemos alegações sobre produtos; relatamos estudos, com autor, ano e valor. "Numa meta-análise de 37 ensaios, a L-carnitina reduziu o peso em média 1,21 kg face ao controlo" é jornalismo de saúde. "Este produto queima gordura" seria publicidade não autorizada. A diferença não é de estilo.

Rótulo e preço: o que cada um prova

A composição impressa no rótulo é uma declaração do fabricante, e é assim que a tratamos: algo que foi declarado, não um facto verificado. Nesta categoria é comum um produto esconder quantos miligramas leva de cada ingrediente. Quando acontece, o texto regista a ausência, porque sem dose não há comparação possível com os ensaios, e essa impossibilidade já é informação para quem vai pagar.

Os preços seguem outra regra. Só entram valores vistos numa loja, farmácia ou plataforma portuguesa, com data e ligação, nunca copiados de outro artigo nem convertidos num «preço médio de mercado». Mesmo assim mudam depressa: um injetável GLP-1 pode custar de 209 € a 445 € por mês conforme a dose, e a mesma substância genérica varia várias dezenas de euros entre lojas. O valor publicado é, por isso, uma ordem de grandeza com data, a confirmar no vendedor antes de comprar.

A comissão e o veredicto

As condições das ligações de afiliação estão no aviso legal, e a razão de ser do projeto em quem somos. Aqui interessa uma coisa só: a comissão não mexe na conclusão.

A comparação dos comprimidos para emagrecer mostra o hibisco com o mesmo resultado e os rótulos sem dose declarada tal como esta página os descreve. Se um produto que nos paga comissão vier a ter avaliação positiva, será porque os dados o sustentam, e as referências estarão ao lado para conferir.

O que não conta como prova

Uma fotografia de «antes e depois» não é um dado, nem se pode verificar. Também não contam as opiniões de utilizadores que ninguém consegue confirmar, aqui ou noutro site, as estrelas que o próprio vendedor dá ao que vende e os «artigos» que acabam num botão de compra. Um estudo citado sem revista, ano e autores fica de fora, porque não há como o abrir. E um texto escrito para outro mercado não passa a descrever Portugal por estar em português.

Onde a evidência é fraca, contraditória ou não existe, escrevemos isso mesmo, ainda que o texto venda menos.

Três categorias que não se misturam

São três categorias jurídicas diferentes e nunca as misturamos numa mesma frase.

Medicamento. Avaliado pela EMA ou pelo Infarmed, com folheto informativo aprovado e indicação definida. Pode exigir receita médica, como os injetáveis GLP-1, ou ser de venda livre, como o orlistato de 60 mg.

Suplemento alimentar. Não é avaliado quanto à eficácia antes de chegar à prateleira; segue a lei alimentar e só pode usar alegações aprovadas.

Produto ilegal. Vendido sem autorização, muitas vezes por redes sociais e aplicações de mensagens, e por vezes com substâncias retiradas do mercado. O Infarmed já identificou em Portugal produtos com sibutramina, suspensa na União Europeia em 2010 por risco cardiovascular superior ao benefício, e recomenda entregar essas embalagens numa farmácia para destruição através do sistema Valormed.

Nestes casos o aviso vem antes de qualquer comparação de produtos.

De onde vem cada número

Quando a pergunta é «isto faz perder peso?», a primeira paragem é uma revisão sistemática ou uma meta-análise, porque junta os ensaios que existem sobre a questão em vez de escolher os que convêm. Se não há revisão, ou se falta um valor concreto (a dose, a duração do ensaio, quantos desistiram), seguimos para os ensaios clínicos aleatorizados no PubMed e no PMC, sempre com DOI ou identificador. Estudos observacionais e de coorte descrevem populações e tendências, mas não chegam para atribuir um efeito a um produto.

Os reguladores e as entidades públicas respondem a outras perguntas: a EMA e o resumo europeu de cada medicamento, o Infarmed para autorização, comparticipação e alertas em Portugal, a EFSA para alegações de saúde, a DGS e o INE para os números da população portuguesa. Farmácias, parafarmácias e lojas só servem para preço e disponibilidade, nunca para provar eficácia. E por cima de tudo vale uma regra: quem vende não é fonte sobre aquilo que vende.

Quando duas fontes discordam, pesa primeiro o nível e depois a data. O orlistato mostra como a diferença pode ser normal: a meta-análise do BMJ de 2007 (16 ensaios, 10.631 participantes) encontrou 2,9 kg face ao placebo, e uma de 2024, com 22 estudos e 5.921 participantes, encontrou 2,40 kg. Em vez de escolher o número mais atraente, escrevemos o intervalo de 2,4 a 2,9 kg, com as duas fontes. Se fontes do mesmo nível continuarem em desacordo, mostramos ambas e dizemos que discordam.


Autor: Redação Guia do Peso · quem somos Publicado: 24 de agosto de 2026 · Última atualização: 20 de setembro de 2026

Aviso de saúde. O Guia do Peso publica informação de caráter educativo sobre peso, alimentação e medicamentos. Não é aconselhamento clínico e não dispensa a avaliação de um médico.

De onde vem o dinheiro do Guia do Peso. Se clicar numa ligação para uma loja e lá comprar, por exemplo, um suplemento para emagrecer, o vendedor pode transferir-nos uma percentagem dessa venda. Não paga um cêntimo a mais por ter vindo daqui. Os preços, as doses e os veredictos publicados no guia são fechados sem olhar a esse pagamento.

Titularidade das marcas. Cada marca citada pertence a quem a registou. O Guia do Peso escreve sobre esses produtos sem qualquer vínculo, patrocínio ou representação dos seus fabricantes e vendedores.

Fontes utilizadas 11

DocumentoFonte
Meta-análise de 6 ECR sobre Hibiscus sabdariffa e obesidade (2024)pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
Meta-análise de catequinas do chá verde e limiar de relevância clínica (2,5 kg)tandfonline.com
EFSA, rejeição da alegação chá verde + guaraná «ajuda a queimar gordura» (2012)efsa.europa.eu
EFSA, parecer sobre crómio: metabolismo de macronutrientes autorizado, peso corporal rejeitado (EFSA Journal 2010;8(10):1732)efsa.onlinelibrary.wiley.com
Meta-análise de L-carnitina, 37 ECR e 2.292 participantes (Clinical Nutrition ESPEN, 2020)pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
Rucker D et al., BMJ 2007;335:1194-9, meta-análise de orlistatopubmed.ncbi.nlm.nih.gov
Meta-análise de orlistato (22 estudos, n=5.921, 2024)journals.sagepub.com
EMA, resumo europeu do Mounjaro (tirzepátido)ema.europa.eu
Preços de referência do tirzepátido em Portugalapomeds.com
Infarmed, alerta sobre medicamento ilegal com sibutramina e recolha via Valormedinfarmed.pt
Suspensão da sibutramina na União Europeia em 2010 (SNS)sns.gov.pt
Autoria: Redação Guia do Peso Última atualização: 12 de outubro de 2026